Nas áreas embargadas dentro da Reserva Extrativista Chico Mendes, no município de Xapuri, uma operação do ICMBio resultou na apreensão e retirada de gado que estava sendo criado na região.
Durante a ação, produtores rurais tentaram impedir a retirada dos animais por meio de um manifesto, mas não tiveram sucesso. O gado foi removido, e parte dele foi destinada para abate sanitário.
A situação gerou forte repercussão entre os produtores, que divulgaram uma nota de repúdio contra o Frigorífico Norte Carnes, responsável por realizar o abate dos animais apreendidos. Na nota, acusam a empresa de colaborar com uma suposta perseguição aos produtores e convocam um boicote.
Nota divulgada:
“Repudiamos a atitude do Norte Carnes, que aceitou abater o gado apreendido pelo ICMBio, contribuindo com a perseguição aos produtores da nossa região. Quem vive do nosso trabalho não pode ser cúmplice de quem nos destrói. Não venda, não compre. Frigorífico que trai produtor não merece nosso dinheiro.”
Além da indignação, surge uma nova preocupação: o destino dos bezerros que ficaram órfãos após o abate das vacas. A condução da operação também levanta questionamentos sobre o manejo e o bem-estar dos animais durante o processo. Até o momento, não há informações se algum órgão de fiscalização sanitária ou de proteção animal acompanhou a retirada e o transporte dos animais, nem se foram adotados os procedimentos previstos em normas de manejo humanitário. A legislação brasileira, por meio de portarias e instruções normativas do Ministério da Agricultura, exige que, em situações como essa, sejam garantidas condições mínimas de bem-estar, alimentação, abrigo e transporte adequado dos animais. Contudo, relatos de moradores e imagens que circulam nas redes sociais apontam para cenas de bezerros abandonados e animais em situação de aparente sofrimento, o que reacende o debate sobre a conduta adotada pelos órgãos ambientais em operações desse tipo.
Já as vacas em condição de consumo, segundo relatos, seriam destinadas à doação para uma instituição social no estado do Pará. A informação ainda não foi oficialmente confirmada pelos órgãos responsáveis.
A reportagem segue em atualização, buscando confirmação oficial dos fatos. A equipe tenta contato com o ICMBio e com o frigorífico citado, mas não obteve retorno até o momento.
